Crowdfunding vai além das startups e abre uma discussão para as empresas da região

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Desde 2024, acompanho esse modelo de financiamento, que quase se tornou o tema da minha dissertação de mestrado.

Em 2024, eu já falava sobre crowdfunding e as possibilidades que ele poderia abrir para os negócios. O assunto despertou tanto meu interesse que quase se tornou o tema da minha dissertação de mestrado.

A pesquisa acabou seguindo outro caminho, mas o interesse permaneceu. Afinal, discutir empreendedorismo e inovação também exige olhar para uma questão prática: de onde vêm os recursos para uma empresa sair do papel, melhorar sua operação ou crescer?

Voltei a pensar nisso ao ler uma matéria publicada pelo Economia SC, em 15 de outubro, sobre o espaço do crowdfunding no financiamento de empresas consolidadas. O texto aborda operações que vão além das startups, envolvendo negócios com histórico de funcionamento, receitas e recebíveis.

Essa discussão merece chegar com mais força aos empresários de Santarém e do Oeste do Pará.

Um assunto que já passou por aqui

Em 2025, publiquei dois textos sobre o tema: um sobre a consolidação do crowdfunding e outro relacionado a uma startup de pescado.

Retomar esses conteúdos é uma oportunidade de atualizar a conversa. Quando comecei a acompanhar o assunto, uma possibilidade me chamava a atenção: aproximar empresas que precisam de recursos de pessoas dispostas a investir.

Hoje, considero importante levar essa reflexão também aos negócios que já estão funcionando. Empresas que têm clientes, vendem e conhecem seu mercado, mas encontram dificuldades para financiar a próxima etapa.

Entender o modelo é o primeiro passo

O crowdfunding de investimento reúne investidores em ofertas realizadas por plataformas eletrônicas registradas na Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. Diferentemente de uma campanha de doação, existe uma expectativa de retorno financeiro e o investidor assume riscos. As características dependem do instrumento utilizado na oferta.

Para o empresário, isso amplia a discussão sobre as fontes de capital disponíveis. Mas não significa dinheiro fácil, aprovação automática ou custo necessariamente menor que o de um banco.

Também é preciso acompanhar a evolução das regras. Em setembro de 2025, a CVM abriu uma consulta pública para substituir a Resolução CVM 88, com uma proposta de ampliação e atualização do regime. Uma proposta regulatória, porém, não deve ser confundida com uma regra já aprovada.

O que essa conversa tem a ver com Santarém?

Na minha avaliação, precisamos discutir financiamento empresarial com mais variedade de caminhos e mais preparação.

Imagine uma pequena indústria que deseja ampliar a produção. Ou uma empresa de alimentos que precisa melhorar sua estrutura para atender novos mercados. São exemplos para reflexão, sem afirmar que esses negócios estariam automaticamente aptos a realizar uma oferta.

Antes de escolher como captar, cada empresa precisa responder a perguntas básicas: quanto necessita, para qual finalidade, em quanto tempo pretende aplicar o recurso e como sustentará as obrigações assumidas?

Uma oportunidade de financiamento só faz sentido quando combina com a realidade do negócio.

Na Amazônia, essa análise também precisa considerar distâncias, logística, sazonalidade e os prazos de cada atividade. Copiar uma operação de outra região, sem entender essas condições, pode produzir expectativas equivocadas.

Preparar empresas também é desenvolver o ecossistema

É nesse ponto que vejo espaço para associações empresariais, universidades e instituições de apoio ao empreendedorismo.

Podemos promover encontros com especialistas, apresentar diferentes modalidades de financiamento e ajudar empresários a organizar informações para avaliar suas alternativas.

Não basta conhecer o nome de uma plataforma. O empreendedor precisa compreender custos, compromissos, riscos e exigências de informação. E o investidor precisa ter condições de analisar o negócio, inclusive a possibilidade de perda do capital.

Para mim, essa é uma agenda importante de desenvolvimento regional: melhorar a capacidade das empresas de planejar, demonstrar resultados e conversar com possíveis financiadores.

O tema não virou dissertação, mas continua relevante

Quando lembro que quase pesquisei crowdfunding no mestrado, percebo que a pergunta que me interessava continua aberta: como aproximar o potencial dos negócios das condições necessárias para que eles cresçam?

Minha dissertação tomou outro rumo. Ainda assim, sigo considerando que esse assunto merece estudo, debate e aplicação responsável.

Santarém e o Oeste do Pará precisam conhecer melhor essas possibilidades. Podemos começar pela informação e pela preparação das empresas, avaliando quais instrumentos realmente fazem sentido para cada situação.

Quantos negócios da nossa região poderiam planejar melhor seu crescimento se conhecessem outras formas de acessar capital?

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