INPI atualiza base que ajuda a entender a proteção de marcas e inovação no Brasil

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Quem empreende precisa conhecer o mercado. E isso também passa por entender como empresas, pesquisadores e instituições estão buscando proteger suas marcas, tecnologias e criações.

Uma atualização do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) amplia as informações disponíveis para esse acompanhamento. Publicada em 13 de outubro de 2026, a versão 12.0 da Base de Dados de Propriedade Intelectual (BADEPI) reúne dados atualizados até dezembro de 2025. A divulgação foi anunciada pelo instituto no dia seguinte.

Para empreendedores, universidades, associações empresariais e gestores públicos, a base oferece matéria-prima para estudar o uso da propriedade intelectual e orientar ações de apoio à inovação.

O que é a BADEPI?

A BADEPI reúne microdados, ou seja, informações detalhadas que podem ser organizadas e analisadas para produzir indicadores. A versão atual disponibiliza uma série histórica de 2000 a 2025, com arquivos sobre patentes, marcas, desenhos industriais, indicações geográficas, contratos, programas de computador e topografias de circuitos integrados.

Atualizada anualmente, a base também sustenta as tabelas completas dos Indicadores de Propriedade Industrial e a elaboração do Anuário Estatístico de Propriedade Industrial do INPI.

Na prática, esses dados permitem construir análises sobre a evolução da procura por proteção e registro de diferentes ativos intelectuais, respeitando as características de cada arquivo.

Por que isso interessa a quem empreende?

Uma aplicação possível é usar os dados para compreender melhor a relação entre atividade empresarial e proteção de ativos.

Para uma associação comercial, por exemplo, estudar a evolução dos pedidos de marcas pode ajudar a formular perguntas sobre a necessidade de orientação aos empreendedores. Para universidades e instituições de apoio, analisar informações sobre patentes e programas de computador pode contribuir para discutir proteção de resultados de pesquisa e aproximação com empresas.

Esses são usos possíveis da base, que dependem do tratamento dos arquivos e da escolha adequada dos indicadores.

O valor está em transformar informação em decisões: quais públicos precisam de capacitação, quais temas merecem atendimento especializado e quais ações devem ser acompanhadas ao longo do tempo.

A novidade: dados sobre propriedade intelectual e gênero

A principal novidade da versão 12.0 é a inclusão da BADEPI de PI e Gênero, com o número do processo e a classificação provável de gênero de depositantes ou inventores. A classificação utiliza os nomes registrados, conforme a metodologia indicada pelo INPI.

A disponibilização abre espaço para estudos sobre participação e desigualdades no acesso à propriedade intelectual.

A expressão “classificação provável” merece atenção: trata-se de uma estimativa metodológica baseada em nomes, que deve ser considerada ao interpretar os resultados.

Uma oportunidade para o Pará e Santarém

Para o Pará, a base pode contribuir para análises sobre como o conhecimento produzido no estado se relaciona com a busca por proteção de ativos intelectuais.

Em Santarém, uma aplicação possível seria incorporar indicadores de propriedade intelectual a um observatório econômico e de inovação. Antes de definir os indicadores, seria necessário conferir a disponibilidade e a qualidade dos recortes territoriais em cada conjunto de dados.

Uma agenda de análise poderia investigar:

  • Como evolui a procura por proteção de marcas e tecnologias no território?
  • Quais atores aparecem nos registros disponíveis?
  • Que necessidades de orientação podem ser investigadas junto às empresas?
  • Como aproximar universidades, empreendedores e instituições de apoio?

Essas perguntas podem orientar estudos e ações conjuntas. As respostas precisam vir da análise dos dados, combinada com o conhecimento da realidade local.

Os números precisam de contexto

Uma contagem de pedidos, isoladamente, não explica toda a capacidade de inovação de uma cidade ou de um estado.

Ao construir indicadores, é necessário distinguir pedidos de concessões, conferir o período analisado e observar os critérios de contagem. Comparações territoriais também ganham qualidade quando consideram fatores como população, número de empresas e estrutura de pesquisa.

O próprio INPI informa que o uso adequado dos microdados exige conhecimentos específicos para trabalhar com grandes bases.

Por isso, a BADEPI pode ser especialmente útil em parcerias entre instituições que conhecem as demandas do território e equipes capazes de tratar e interpretar os dados.

Da informação à ação

A atualização oferece uma oportunidade para colocar a propriedade intelectual nas discussões sobre desenvolvimento econômico.

Empresas podem levantar novas perguntas sobre seus ativos. Universidades podem aprofundar estudos. Associações empresariais e governos podem usar evidências para planejar orientação, capacitação e acompanhamento.

Para Santarém e o Pará, o próximo passo pode ser escolher perguntas relevantes para o território e usar os dados para construir respostas que ajudem quem pesquisa, empreende e inova.

Acesse os arquivos na página oficial da BADEPI no INPI.

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