Estado investe 0,06% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, ficando atrás do Amazonas e de Roraima na Região Norte. Ranking nacional revela desigualdades regionais e desafios para fortalecer a inovação no país.
A capacidade de investir em pesquisa, ciência e tecnologia é um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento econômico, a competitividade das empresas e a geração de oportunidades. No Brasil, entretanto, os investimentos públicos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) ainda apresentam diferenças significativas entre os estados.
Dados do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), colocam o Pará na 15ª posição nacional, com investimentos públicos em P&D equivalentes a 0,06% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
O resultado posiciona o Pará na terceira colocação da Região Norte, atrás de Amazonas e Roraima, e evidencia a necessidade de ampliar os esforços para transformar o potencial científico, econômico e territorial do estado em inovação e desenvolvimento.
Pará é o terceiro colocado da Região Norte
Na comparação entre os sete estados da Região Norte, o Pará apresenta desempenho intermediário.
O Amazonas lidera a região, ocupando a 7ª posição nacional, com investimentos públicos em P&D equivalentes a 0,15% do PIB estadual. Em seguida aparece Roraima, na 8ª posição do país, com 0,12%.
O Pará surge na terceira colocação regional, com 0,06%, seguido por Amapá, Tocantins, Acre e Rondônia.
Confira o desempenho dos estados da Região Norte:
| Estado | Posição nacional | P&D (% do PIB) |
|---|---|---|
| Amazonas | 7º | 0,15% |
| Roraima | 8º | 0,12% |
| Pará | 15º | 0,06% |
| Amapá | 19º | 0,03% |
| Tocantins | 22º | 0,03% |
| Acre | 26º | 0,02% |
| Rondônia | 27º | 0,01% |
O indicador mostra que a participação do investimento público em P&D no PIB do Amazonas é 2,5 vezes a registrada no Pará.
Embora o Pará esteja à frente de quatro estados da região, sua posição nacional indica espaço para avançar na estruturação e no financiamento de atividades científicas e tecnológicas.
É importante destacar que o indicador mede a proporção do PIB destinada a investimentos públicos em P&D, e não o volume total de recursos investidos. Portanto, uma participação percentual maior não significa necessariamente um investimento absoluto superior.
O que os números representam para o Pará?
O Pará reúne características estratégicas para o desenvolvimento de soluções tecnológicas e científicas, especialmente em áreas como bioeconomia, biodiversidade, mineração, agroindústria, energias renováveis, logística e tecnologias aplicadas à realidade amazônica.
A presença de universidades, institutos de pesquisa, instituições de ciência e tecnologia e organizações de apoio ao empreendedorismo oferece uma base importante para a produção de conhecimento.
Entretanto, transformar conhecimento científico em inovação exige investimentos contínuos, infraestrutura adequada, formação de profissionais qualificados e maior integração entre instituições de pesquisa, empresas e poder público.
Nesse contexto, o resultado do ranking levanta uma questão importante: como ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para aproveitar melhor as oportunidades econômicas e tecnológicas do Pará?
O desafio não envolve apenas aumentar recursos, mas também direcioná-los para iniciativas capazes de gerar resultados concretos, como novos produtos, processos produtivos mais eficientes, soluções ambientais, tecnologias sociais e negócios inovadores.
Para os empreendedores paraenses, o fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento pode representar maior acesso a tecnologias, parcerias com instituições científicas, oportunidades de inovação e melhores condições para competir em mercados nacionais e internacionais.
São Paulo e Paraná lideram o ranking nacional
A comparação com outras regiões revela diferenças expressivas na participação dos investimentos públicos em P&D no PIB estadual.
São Paulo ocupa a primeira posição nacional, com 0,42%, seguido pelo Paraná, com 0,34%.
O Ceará aparece na terceira colocação, com 0,20%, enquanto Bahia, Paraíba e Rio de Janeiro completam as seis primeiras posições.
Os dez estados mais bem posicionados no ranking são:
| Posição | Estado | P&D (% do PIB) |
|---|---|---|
| 1º | São Paulo | 0,42% |
| 2º | Paraná | 0,34% |
| 3º | Ceará | 0,20% |
| 4º | Bahia | 0,18% |
| 5º | Paraíba | 0,17% |
| 6º | Rio de Janeiro | 0,17% |
| 7º | Amazonas | 0,15% |
| 8º | Roraima | 0,12% |
| 9º | Santa Catarina | 0,12% |
| 10º | Maranhão | 0,10% |
A participação registrada em São Paulo é sete vezes a observada no Pará, demonstrando a distância entre os dois estados nesse indicador.
Os resultados também mostram que o destaque em investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento não está restrito ao Sul e ao Sudeste. Estados do Nordeste e do Norte aparecem entre os dez primeiros colocados.
Como estão as outras regiões brasileiras?
No Sudeste, São Paulo lidera o país, enquanto o Rio de Janeiro ocupa a 6ª posição, com 0,17%. Minas Gerais aparece em 12º lugar, com 0,08%, e o Espírito Santo em 18º, com 0,04%.
No Sul, o Paraná se destaca nacionalmente na segunda colocação, com 0,34%. Santa Catarina ocupa a 9ª posição, com 0,12%, enquanto o Rio Grande do Sul aparece em 23º lugar, com 0,03%.
O Nordeste apresenta resultados relevantes, com o Ceará na 3ª posição nacional, seguido pela Bahia em 4º e pela Paraíba em 5º. Maranhão também integra o grupo dos dez primeiros, ocupando a 10ª posição. Pernambuco aparece em 13º, Rio Grande do Norte em 14º, Alagoas em 21º, Sergipe em 24º e Piauí em 25º.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul ocupa a 11ª posição, com 0,08%. Mato Grosso e Goiás aparecem em 16º e 17º, respectivamente, ambos com 0,06%, enquanto o Distrito Federal está em 20º, com 0,03%.
Essas diferenças reforçam que a participação do investimento público em P&D varia consideravelmente entre as unidades federativas, inclusive dentro de uma mesma região.
Também indicam que a posição econômica de um estado, isoladamente, não determina sua classificação nesse indicador.
Investir em pesquisa é fortalecer o empreendedorismo e a competitividade
O investimento em pesquisa e desenvolvimento desempenha um papel importante na construção de ambientes favoráveis à inovação.
Quando universidades, centros de pesquisa, empresas e governos atuam de maneira articulada, surgem oportunidades para desenvolver tecnologias, aprimorar processos, estimular novos negócios e aumentar a produtividade.
Para o Pará, essa articulação é especialmente relevante diante das oportunidades relacionadas ao uso sustentável dos recursos naturais, à agregação de valor à produção regional e à criação de soluções para os desafios amazônicos.
O fortalecimento da pesquisa aplicada também pode aproximar pequenos negócios das instituições científicas, facilitando a adoção de tecnologias e o desenvolvimento de produtos e serviços.
Entre os caminhos possíveis estão a ampliação do financiamento público à pesquisa, o incentivo à cooperação entre universidades e empresas, o apoio a startups de base tecnológica e a criação de mecanismos para transformar resultados científicos em soluções de mercado.
Essas iniciativas podem contribuir para uma economia regional mais diversificada, inovadora e competitiva.
O desafio do Pará é transformar potencial em inovação
A 15ª posição nacional coloca o Pará em uma situação intermediária no ranking de investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento.
O estado apresenta desempenho superior ao de quatro unidades federativas da Região Norte, mas permanece distante dos líderes nacionais e dos dois primeiros colocados de sua própria região.
Mais do que uma classificação, o resultado oferece uma oportunidade para discutir as prioridades de investimento em ciência, tecnologia e inovação.
Em um estado com grande diversidade econômica, ambiental e territorial, ampliar a capacidade de produzir e aplicar conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento de soluções adequadas às necessidades da população e das empresas.
O desafio do Pará é fazer com que seu potencial científico, produtivo e ambiental seja acompanhado por investimentos capazes de gerar inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável.
Para isso, pesquisa e desenvolvimento precisam ser compreendidos não apenas como despesas públicas, mas como componentes estratégicos de uma política de desenvolvimento de longo prazo.
Fonte: Ranking de Competitividade dos Estados 2026 — Centro de Liderança Pública (CLP). Dados de MCTIC e IBGE, ano de referência 2024.
Indicador analisado: Participação do investimento público em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no PIB estadual.
Consulta: https://rankingdecompetitividade.org.br
Nota metodológica: os percentuais apresentados referem-se à participação do investimento público em P&D no PIB de cada estado. O indicador não representa o investimento privado, o total de recursos em valores absolutos ou, isoladamente, a qualidade e os resultados da pesquisa científica.
