RH da Riachuelo cria plataforma com IA em 12 dias: e economiza 1,5 milhão por ano.

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Dois profissionais sem experiência em programação desenvolveram uma ferramenta para avaliações de desempenho. O caso mostra o valor de dar condições para que a própria equipe resolva problemas da operação.

Quantas horas sua empresa perde preenchendo planilhas, cobrando respostas e reunindo informações espalhadas?

Essas tarefas fazem parte da rotina de muitos negócios. Como sempre foram executadas dessa maneira, acabam sendo tratadas como um custo inevitável. Um caso da Riachuelo ajuda a questionar essa lógica.

Segundo reportagem da Exame, Melissa e Filipe, profissionais de recursos humanos sem experiência prévia em programação, criaram em 12 dias uma plataforma para apoiar os processos de carreira e desempenho da companhia. Uma solução pronta do mercado custaria mais de R$ 1,5 milhão por ano, conforme a comparação apresentada pela empresa.

O que a plataforma faz

A ferramenta automatiza atividades administrativas dos ciclos de avaliação, como organização de formulários, lembretes e consolidação de relatórios. Está disponível para cerca de 33 mil colaboradores, e a companhia estima que possa liberar 3.600 horas de trabalho.

As avaliações e as decisões sobre a carreira dos funcionários continuam sob responsabilidade humana.

É preciso interpretar os números com cuidado: o preço de uma alternativa comercial não representa, automaticamente, economia líquida já comprovada. Construir uma ferramenta também exige manutenção, suporte e acompanhamento. Da mesma forma, horas que podem ser liberadas são uma estimativa de ganho de produtividade.

Quem conhece o problema tem muito a contribuir

Na minha leitura, a principal lição do caso está no conhecimento que esses profissionais tinham sobre o próprio trabalho.

Quem executa uma atividade diariamente sabe onde a informação se perde, qual etapa gera retrabalho e por que determinada planilha nunca fica atualizada. Esse conhecimento ajuda a definir o que uma ferramenta precisa resolver.

A inteligência artificial amplia a possibilidade de transformar essa experiência em uma solução concreta. Mas o ponto de partida continua sendo compreender o processo.

Para o empreendedor, isso muda a conversa com a equipe. Além de perguntar o que está atrasado, vale perguntar: qual tarefa repetitiva mais consome seu tempo e como poderíamos simplificá-la?

Dar autonomia também exige oferecer apoio

O projeto integra o Builders, programa interno da Riachuelo para desenvolver soluções a partir das necessidades das áreas. Segundo a reportagem, a equipe de tecnologia participa quando há integração com sistemas centrais, dados sensíveis ou dificuldades técnicas.

Essa combinação merece atenção: conhecimento da operação, espaço para experimentar e suporte especializado.

Uma ferramenta pode funcionar bem em uma demonstração e apresentar dificuldades no uso diário. É necessário verificar se as informações estão corretas, quem poderá acessá-las e quem ficará responsável por corrigir falhas.

Criar rápido é uma vantagem. Manter a solução funcionando com confiança é parte do trabalho.

Como levar essa lógica para uma pequena empresa

Uma empresa de Santarém não precisa reproduzir a estrutura de uma grande varejista para experimentar melhorias. Pode começar com um problema pequeno, frequente e fácil de acompanhar.

Alguns exemplos:

  • Organizar pedidos que chegam por diferentes canais.
  • Acompanhar propostas comerciais sem retorno.
  • Consolidar informações para um relatório semanal.
  • Padronizar respostas a dúvidas recorrentes.
  • Controlar tarefas e prazos que hoje dependem de lembretes manuais.

O caminho é escolher uma atividade, registrar como ela funciona e medir quanto tempo consome. Depois, testar uma solução com poucas pessoas, conferir os resultados e ajustar antes de ampliar.

Também vale avaliar se um recurso dos sistemas já contratados resolve a necessidade. Desenvolver algo próprio faz mais sentido quando existe uma demanda clara e capacidade de cuidar da ferramenta depois.

A oportunidade pode estar dentro da sua equipe

O caso da Riachuelo oferece uma reflexão prática: muitas oportunidades de inovação estão nas dificuldades que os funcionários enfrentam todos os dias.

Para aproveitá-las, o empresário precisa criar espaço para ouvir, testar e aprender. Isso inclui capacitar pessoas, definir responsáveis e acompanhar se a mudança trouxe resultado.

A pergunta que fica para quem empreende é simples: qual problema sua equipe conhece tão bem que já poderia começar a resolver com o apoio da inteligência artificial?

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